Archive for agosto 2013

Não se importar


Já se foram os tempos em que a fuga era necessária e a inquietação dava-se por horas e em quase todos os dias.
As surpresas também cessaram, tornando cada novidade, por mais ruim que fosse, apenas uma nova informação acerca da vida inútil que temos.
Ah! Os grandes sentimentos se perderam no meio do caminho como um objeto qualquer; o qual solta suas peças e as deixa para trás, uma por uma, até que tudo se perca por aí.
Os assuntos importantes têm perdido seu valor na lista de prioridades e o Nada, que ainda não possui uma definição concreta, toma todo o espaço na existência gradativamente.
O passado não tem mais importância. Não há novo, portanto, não existe a previsão de um futuro.



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Menas

A cada palavra grosseira de um pseudo superior
A cada ocultação da verdade de um amor
A cada lágrima derramada durante a dor
Menos coração.



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E você?





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Your Life Is a Lie


Liberdade é algo bem mais complexo do que imaginamos ser.
Parece ser tão simples, já que a palavra em si é usada de maneira banal sem nenhum tipo de reflexão e entendimento amplo sobre a mesma, porém, a cada dia e a cada descoberta compreendo que essa palavrinha tão amada por todos possui sentidos tão diversos e barreiras tão grandes para não existir de fato.
Já compreendi os entraves sobre a tal liberdade, como questões de gênero e diferenças de classe, mas não havia notado as diversas barreiras dela no cotidiano, em decisões sobre os rumos da vida, como por exemplo a profissão que cada um pretende seguir.
Obviamente que as questões que envolvem gênero e classe social influenciam nisso tudo, entretanto há algo mais. Algo maior que eu não consigo explicar em termos e nem sei se alguém consegue, mas se parece muito com a falta de auto conhecimento.
Observando escolhas incertas e decisivas, meus hábitos tediosos, minha falta de amigos, meus sorrisos desaparecidos, minhas noites acordadas e lacrimejantes, .. enfim! Observando tudo isso e mais alguns fatos que provocaram felicidade e excesso de falas, criou-se em minha mente um questionamento sobre as escolhas que fazemos na vida.
Será mesmo que escolhemos aquilo que nos deixa feliz ou somente aquilo que soa conveniente e confortante? 
Se o irmão fez, o fulano, o vizinho, o ciclano, o amigo, o José ou até mesmo seu inimigo, não quer dizer que você queira fazer, oras!
Se a moda do momento é ser universitário, não quer dizer que isso seja o que você queira para sua vida. Talvez nem seja aquilo que você precise! Aliás, isso é bem provável.
A desculpa para tantas decisões que a sociedade toma para nossas próprias vidas, tirando assim nossa liberdade de SER, é de uma vida melhor; de um futuro próspero e assegurado.
Claro, isso tudo descartando a possibilidade de morrermos hoje engasgados com um pedaço de carne, ou atropelados na rua por um recém habilitado/bêbado/idoso quase cego!
Descartando também que há prosperidade em outros setores que não estão postos dentro das universidades do país. E também sem contar a felicidade que precisamos ter ao colocar em prática nossa profissão.
Somos tão desesperados em catar (sim, catar!) as primeiras oportunidades que surgem, que não pensamos se essas oportunidades são aquelas que nos deixam felizes com nós mesmos. Até fingimos que somos felizes com aquilo que acabamos "escolhendo". E depois nos dizemos livres ..
Não consigo ver a liberdade em um mundo em que criamos regras para tudo, até mesmo para o que vamos escolher para ser nossa profissão pelo resto da vida.
Vida essa que pode acabar no próximo minuto! Que fique claro.
É tudo tão corrido, prático, comprável e infeliz que não sobra tempo nas 24 horas do dia para pensarmos sobre o que é a vida, e qual o sentido da nossa.
Logo, os dias passam, os meses, os anos e as décadas e nossa existência termina sem sentido profundo algum, afinal, fizemos o que todos fizeram e assim nos tornamos parte de uma massa cega, surda e muda que só seguiu ordens invisíveis e imperceptíveis.
Não! Eu não quero isso, principalmente porque não creio em outras oportunidades.
E você?
Quer isso?



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Título e imagem dessa música com esse clipe perfeito: Your Life Is A Lie - MGMT
Aliás, imagem foda pra caralho! HAUSHUAHUAHS

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Coragem


Medo de dirigir, medo de parar, medo de adoecer, medo de curar, medo de acreditar, medo de duvidar, medo de confiar, medo de desconfiar, medo de depositar, medo de sacar, medo de expor, medo de esconder, medo expressar, medo de guardar, medo de falar, medo de ouvir, medo de avançar, medo de recuar, medo de cozinhar, medo de passar fome, medo de acender, medo de apagar, medo de sair, medo de ficar, medo de socializar, medo de anti socializar, medo de abrir, medo de fechar, medo de retrucar, medo de perdoar, medo de sorrir, medo de chorar, medo de vestir, medo de despir, medo de confirmar, medo de cancelar, medo de assistir, medo de ler, medo de observar, medo de ignorar, medo de comer, medo de vomitar, medo de hidratar, medo de coçar, medo de tratar, medo de automutilar, medo de roer, medo de lixar, medo de servir, medo de ordenar, medo de respeitar, medo de responder, medo de desativar, medo de postar, medo de inscrever, medo de deixar passar, medo de vender, medo de comprar, medo de viajar, medo de Franca, medo de trabalhar, medo de vadiar, medo de desenhar, medo de riscar, medo de injetar, medo de tomar (com um copo de água), medo de dormir, medo de acordar, medo de sorrir, medo de chorar, medo de amar,medo de odiar, medo de morrer, medo de viver.



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Eyes are open and mouth cries


De uns tempos pra cá determinadas sensações têm se demonstrado mais fortes e constantes devido a vários fatores praticamente incontroláveis. Talvez pelo simples caminhar natural das coisas.
A introspecção é agora rotineira e acaba acontecendo sem autocontrole algum.
Pensamentos variados, perdidos à procura de algo, surgem a partir das 0h e vai até às 4h. Logo depois a sonolência, tão esperada sonolência, finalmente aparece aos poucos.
Em outros tempos isso seria mais torturante do que já é atualmente, já que a insônia é marcada principalmente pela solidão que se passa durante a madrugada em que os outros fazem uma das melhores ações nessa vida, que no caso é dormir. Dormir!
Sua vontade de fugir da realidade em sono simplesmente não acontece.
No começo é quase inofensivo, mas com o tempo e a insistência dessa pequena maldição, suas ideias acabam ficando meio foras de órbita e a tristeza toma posse de sua mente. Bom, pelo menos durante a consciente madrugada em frente ao tédio (notebook). Logo sua mente começa a buscar meios receitáveis de voltar ao cronograma diário antigo, mas a esperança de que tudo volte ao normal naturalmente é maior.
Enquanto isso não acontece, a tortura permanece e os pensamentos autodestrutivos não cessam em momento algum.
Insônia, de fato, enlouquece.

Concrete Walls - Fever Ray



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Mudou

Tcharam! O blog mudou!
Há muitos dias estou tentando mudar o design do blog, porém, como não tenho uma boa relação com o Blogger, essa mudança foi árdua. Troquei de template várias vezes, mudei o plano de funo umas quinhentas e resolvi até mesmo mudar o nome do blog e, assim, seu endereço.
Cheguei a pensar que teria que postar todos os textos antigos novamente, porque acabei fodendo com o blog lindamente. Mas sem problemas. Somente eu vi o que fiz com esse blog, afinal, quando notei que as minhas ideias não iam dar certo facilmente, privei o blog por um tempo.
Menos mal!
Enfim, a aparência do blog ficou menos juvenil, creio eu. Apesar de que ainda não encontrei um plano de fundo decente, mas como já me estressei bastante hoje procurando templates, editando o menos problemático que encontrei e testando várias imagens no background, acabei pegando a imagem menos irritante e pronto.

Bom, sobre o novo nome!
O que tenho a dizer é que não é novo, porque já tive um blog falido com o mesmo nome e como esse não é muito diferente, acho que não tenho problemas com azar mais.
É uma palavra só e bem simples, mas que tem muito sentido. Bom, na verdade tem o verdadeiro sentido do blog: algo desprezível, mesquinho, inútil.
Ah! As postagens devem continuar o mesmo lixo de sempre.
Talvez eu mude o meu modo de escrever. Talvez eu nem escreva ..
A preguiça decidirá!

Enfim, tudo devidamente explicado!
Terminemos então com a fonte do novo velho nome do blog e que me descreve tão bem.


Poema em linha reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)




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