Archive for fevereiro 2015

Comptine d'Un Autre Été

E pela segunda vez eu me encontro na mesma situação, no mesmo estado, no fundo do mesmo poço.
Felizmente não consigo distinguir o pior do menos pior, até porque a memória acerca do sofrimento passado foi gradativamente se apagando, sobrando apenas pequenas ideias do que já ocorreu anteriormente. E isso é bom. Muito bom.
Tomando por base o que se sucede neste momento, o esquecimento acerca do passado é reconfortante, pois a dor é insuportável. Tão insuportável que a única solução para um certo alívio é arrancar o coração fora e/ou simplesmente apagar sem previsão de retorno.
As horas não passam, as pequenas alegrias (fugas) encontradas durante o dia logo se desfazem e somem no ar, restando novamente a angústia e a dor. Sim, dor! Dói. Estala de tanta dor, e lágrima alguma é capaz de tirar tudo isso de dentro de mim. Simplesmente fica e machuca, sem previsão alguma de apenas ir embora e nunca mais voltar durante a noite para me atormentar.
Dói não pela perda de alguém, mas sim pela perda de mim mesma, da perda de tempo, da perda de pessoas verdadeiras na minha vida, na perda de alegrias, na perda de noites passadas aos prantos enquanto o outro seguia alegremente sem a mínima preocupação ou consideração.
Dói pelas chances dadas, pelas esperanças constantemente criadas e logo depois decepcionadas sem pudor algum.
Dói pela perda de um ano e depois meses de juventude, de amor próprio, de vida! E mesmo repetindo isso constantemente, eu jamais poderei mostrar para um ser sequer o quão grande é o sofrimento que sinto nesse instante, e mesmo que conseguisse expor, ninguém jamais conseguiria sentir exatamente o que estou sentindo. Não digo isso por achar que minha dor é maior, mas sim por saber o quão particular ela é e como me afeta agora e afetará para sempre.
Mais uma vez o que me resta não são boas lembranças, muito menos algum tipo de saudosismo, mas sim a dor, o medo de seguir em frente e, no caso, passar por tudo que já passei de novo. Me agoniza pensar que o sentimento de déjà vu está presente e seguirá comigo por bastante tempo.
Prevejo um longo período de retrospectiva acerca de tudo, do começo ao fim, buscando as minhas próprias falhas e as remoendo em lágrimas de arrependimento. Arrependimento de me ser! De cometer os mesmos enganos, os mesmos perdões e acabar num quarto fechado com as luzes apagadas ao som de Yann Tiersen ... Só. Além do mais, ainda contarei sempre com a presença de uma voz que constantemente me lembra da falta de valor que possuo. Isso por responsabilidade minha de esperar retornos alheios enquanto tento quase que secretamente ser de grande estima para o outro. Nunca fui e jamais serei, e isso machuca.
Pensar, fazer, sonhar, esperar! Tudo para nada. Nada além de desapontamento e depressão presente por anos.
Entretanto, apesar de todo o prejuízo adquirido no término, eis que me resta um pouco de esperança sobre mim. Talvez não nesse campo da vida, mas sim em outros menos reconfortantes para a "alma". Não completa tudo aquilo que desde cedo acreditei e esperei, mas cada vez mais aprendo que o completo, o perfeito, não existe. Antes me contentar com aquilo que minhas mãos alcançam, que sofrer uma vida toda por aquilo que se encontra na prateleira mais alta.
Pode ser que isso não aconteça somente comigo, quiçá eu não esteja só na solidão. Enfim, o que me resta é a dúvida e a dor a ser sofrida com êxito.
Mais uma vez


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