Seguindo a linha de pensamento que eu utilizei pra criar duas postagens que aqui se encontram (Pseudo Senso Crítico e Throwing rocks into the dark), venho através deste continuar a minha tentativa pessoal de compreender as pessoas a partir de suas ações, que na maioria das vezes eu analiso pela internet, ou mais precisamente, pelo Facebook. (Porra, Facebook de novo?)
É interessante como dá pra conhecer as pessoas através de uma pequena análise perante seu perfil em uma rede social. Ainda mais ultimamente, quando as pessoas têm exposto tudo o que podem em cada postagem, compartilhamento, e principalmente, nos comentários que fazem em diversos sites e afins.
O que eu (eu!) tenho visto são vários seres humanos, recebendo informações o tempo todo, e repassando essas mesmas informações descontroladamente e sem a mínima ideia do que estão fazendo.
As pessoas digitam, mas não pensam antes de digitar. Ou pior, elas pensam na melhor maneira de repassarem as ideias anteriormente absorvidas para tentar fazer com que o outro aceite essas ideias passivamente.
Infelizmente, na maioria das vezes, nenhum dos dois participantes de tal discussão tem a mínima noção daquilo que estão tentando "impor" ao outro. Esses meros seres humanos, incluindo eu, não possuem ideias próprias.
Não digo aqui "opinião própria", mas sim "ideia própria". Afinal, opinião todos temos, e temos sobre qualquer coisa, mesmo que não saibamos nada sobre.
Agora, ideia própria é algo que dificilmente vemos nos dias de hoje. Não sei nem se em algum momento da nossa história as pessoas, em sua massa, tiveram ideias formuladas pelos seus próprios cérebros e sentimentos.
Momentos de profunda reflexão sobre a vida, a existência, a política, as lutas, as opressões, o lazer (ah, o lazer, tão criminalizado nos tempos de hoje) e outros aspectos que envolvem nossas vidas, são inexistentes.
Eu realmente não consigo compreender qual é a dificuldade das pessoas em parar algumas vezes na vida para tentarem entender a vida delas, e até mesmo coisas mais amplas e distantes desse pequeno mundinho em que vivem.
O que eu vejo são pessoas que assim como eu, há tempos atrás, só sabem falar negativamente sobre tudo que as cercam. Quase ninguém ousa propor algo diferente, de maneira concreta, que suprime os vários problemas que temos apontado diariamente em nossa sociedade. E quando alguém que defende uma ideia, antes refletida e compreendida por essa pessoa, tenta mostrar aos outros que há uma "saída", o que a grande maioria faz?
Fala mal, obviamente. Afinal, para esses "gênios" da atualidade, apenas os outros têm que mudar, porque justamente eles só enxergam os problemas nos outros, mas se acham criaturas perfeitas diante de tamanha ignorância alheia.
A grande maioria não consegue compreender ideias já prontas que estão por todos os lados, então chega a ser utópico querer ver as pessoas formulando ideias por contra própria. Mas ideias mesmo, baseadas em tempos de observação de um determinado objeto, e do todo que o envolve.
Percepção é o que tem faltado.
Dificilmente as pessoas percebem quem há algo maior que elas. Há situações que elas não passam na vida delas, mas que naturalmente outras pessoas passam.
A realidade não se baseia no que um par olhos consegue enxergar durante toda a sua vida. Ela varia de acordo com o espaço, com a época, com a cultura e as pessoas, além de outros aspectos, então dificilmente as pessoas estarão certas de suas convicções, ainda mais reproduzindo uma visão simplista das coisas, e pior ainda sem o mínimo de autocrítica e percepção.
Percepção é o que tem faltado.
Dificilmente as pessoas percebem quem há algo maior que elas. Há situações que elas não passam na vida delas, mas que naturalmente outras pessoas passam.
A realidade não se baseia no que um par olhos consegue enxergar durante toda a sua vida. Ela varia de acordo com o espaço, com a época, com a cultura e as pessoas, além de outros aspectos, então dificilmente as pessoas estarão certas de suas convicções, ainda mais reproduzindo uma visão simplista das coisas, e pior ainda sem o mínimo de autocrítica e percepção.
"O outro não deve ouvir funk, assistir BBB, muito menos gostar de futebol. Isso é alienação. Mas se alguém pensar em tirar minhas séries estadunidenses, meus jogos de videogame e minhas músicas do Coldplay, é completamente ignorante e revoltado contra os Estados Unidos da América, e em suma um socialista babaca.
Aliás, cotas raciais? Por favor, né. Eles têm cérebro assim como nós, e cota pra negro/índio na verdade é a maior demonstração de racismo. Isso é tão ridículo quanto Bolsa-família. Essa gente não tem a capacidade de procurar emprego, e ainda quer ganhar o MEU dinheiro!
- disse um jovem que tem hemorragia de opiniões."
O triste é ver que as pessoas se preocupam demais em colocar defeitos nos outros, assim como eu já fiz bastante e venho tentando parar com essa imbecilidade, sendo que elas não possuem tempo nem para cuidar do problema delas mesmas. Não problemas externos, mas sim os internos.
Não vejo quase ninguém se desconectando do Facebook, para ir deitar e sentir toda a tristeza que finge não ter, e passa o tempo se enganando, colocando a culpa de tudo nos outros. Imagina só ver as pessoas admirando a natureza que ainda nos resta, sentindo alegria em viver e vontade de se revolucionar, para aí sim ver a revolução em cada pessoa que se encontra ao seu redor.
(Quem possui medo da palavra "revolução", troque por "mudança". Talvez faça mais sentido.)
Peço do fundo do coração que cada ser humano se encontre antes de tentar guiar o outro para o seu autoconhecimento. E digo mais, não deixe que outras pessoas tentem te guiar na sua busca por autoconhecimento e compreensão de mundo. Todos temos o famoso cérebro para encontrarmos as respostas das nossas perguntas por conta própria.
"Não esqueça que você é capaz de desenvolver seu próprio universo." - Epica
E não esqueça que não precisa menosprezar os universos das outras pessoas para que o seu tenha importância.
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ps: Isso não é uma crítica ruim de um ser humano revoltado com o mundo, mas sim uma tentativa pessoal de compreensão sobre essa sociedade jovem e totalmente participativa, pelo menos no universo virtual né.
Eu já falei mal de BBB, de funk, de mulheres que se vestem com roupas curtas, de cotas raciais. Mudei minha visão, então quem teve tempo para ler isso e se identifica com o meu objeto de reflexão, não se sinta ofendido.
Ah, eu assisto séries estadunidenses e gosto de Coldplay. Nada contra ambos, e nem contra videogames, nem contra nada que você use para se distrair, desde que você não dê a importância errada à essas coisas.
E por favor, não tenham uma visão simplista sobre machismo e racismo, dentre outros tipos de divisões de seres humanos, ainda mais hoje em dia, quando as opressões estão transvestidas de assuntos encerrados, porque no papel somos todos iguais, mas infelizmente, no dia a dia a história é outra. Esses assuntos são sérios e complexos. Mais do que vocês possam imaginar.


