Eu tenho preguiça. Muita preguiça.
O sono me envolve durante todo o dia e a vontade de redigir aqui os acontecimentos que não quero esquecer praticamente inexiste. Na realidade, inexiste completamente.
De repente a rotina mudou totalmente e eu ainda não consegui processar tal troca de realidade realizada por duas situações decisivas na minha vida, por enquanto. Tais acontecimentos são: o novo emprego e a viagem.
Em meio a correria da busca de documentos, entrevistas e montagem de bagagem para a ida à um congresso, minha consciência sobre o que acontecia já havia se perdido e somente agora tenho reconquistado parte da mesma.
Arrumei tudo e parti para Goiânia com a ânsia de participar ativamente da construção do movimento estudantil nacional. Perdi toda a alegria em participar do movimento.
Observei um sofrimento desnecessário em meio a festas e jovens despolitizados e desinteressados para com a realidade em que vivemos, e mesmo aqueles que notei algum tipo de vontade de mudar o caos em que vivemos, não consegui acreditar e prestigiar suas ações.
Festas, estádio, gritos e bebidas alcoólicas não representam absolutamente ninguém.
Voltei com novas certezas e um posicionamento mais crítico sobre aquilo que eu apoiava e seguia cegamente. Revi meus ideais perante ao contexto em que eu os colocava em prática e mudei. Felizmente mudei, e não somente nesse aspecto. Mudei minha rotina, afinal, começo agora a passar tardes fora de casa trabalhando.
Novas pessoas, novas conversas, novas informações e uma enxurrada de responsabilidades e copos de café.
Obrigada, Shiva! Uma nova rotina acontece juntamente com novas ideias. Isso é um novo universo em que habito, e essa renovação tem me proporcionado amor. Mais amor.
Aqueles ódios passados estão ficando definitivamente no passado, afinal, o presente agora é outro, de fato.
Está ficando tudo muito pessoal, muito diário de um adolescente maconheiro .. É o sono. Mas tudo bem.
Gravei aqui, nesse poço de inutilidades, acontecimentos importantes na minha vida que podem e devem mudar completamente os rumos da minha história.
Que no futuro eu leia tudo isso e consiga dar a devida importância à essas escrituras diarescas*.
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*Não sei não, mas acho que inventei essa palavra diaresca.
Láááá no fim da página tem um bang pra seguir esse blog, portanto, não vá lá!
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Diário da renovação
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Seven devils in my house
Eu tenho a capacidade de me surpreender sempre com a hipocrisia humana. As pessoas sempre conseguem fazer com que eu tenha a certeza de que, realmente, não vi de tudo nessa vida.
Ajudar é, em suma, uma atitude que não deveria ser feita se o motivo maior seja alguma retribuição, porque logo se torna uma troca de favores, e não uma ação de ajuda, de auxilio. Acredito eu que quando se ajuda alguém, nem se pensa que está ajudando, apenas está se fazendo algo que seu "coração" pedia e que vá auxiliar o outro em determinada situação sem grandes problemas; sem grandes dúvidas, mas hoje eu vejo que o individualismo tem, diariamente, dizimado o real significado dessa ação.
As pessoas não têm a capacidade de fazer algo bom para os outros, simplesmente por fazer, sem muita complicação. Elas fazem algo visando o que você pode oferecer a elas. Elas procuram tirar lucro de você, mesmo que não sejam capitalistas explorando sua força de trabalho. Status, beijos descompromissados, trabalho gratuito, dinheiro .. enfim, as pessoas estão atrás de coisas que os outros seres humanos podem proporcionar através de uma "ajuda". Tudo passageiro, sem significado, sem sentido algum.
Os mesmos ainda se afirmam como os grandes bondosos e sábios que habitam na Terra, o que já tira pontos dos mesmos nos quesitos citados, afinal, quem possui o rei na barriga dificilmente notará seus próprios erros, acreditando cegamente que todas suas ações são boas, por mais podres que sejam.
Não adianta posar em fotos fazendo caridade, cantar palavras de amor ao seu "Deus" (que provavelmente nem existe), intitular-se como um incompreendido dentro de uma família louca, um opositor ao sistema, sendo que com o seu próximo, suas ações mais repulsivas são postas em prática sem o menor pudor; sem a menor preocupação com o sentido daquele que está tão mais próximo do que o suposto criador de tudo.
De que adianta falar de um capitalista sendo que se faz o mesmo com aqueles que estão ao seu redor, sugando tudo que pode dessas pessoas inocentes pra depois descartá-las como se fossem lixo?!
De que adianta criticar um homossexual por aquilo que ele faz em quatro paredes sendo que suas ações com um familiar não te faz um merecedor do céu que tanto nos prometem?!
Bom, para mim essas atitudes hipócritas só servem para piorarmos cada vez mais nosso sentimento de superioridade sobre os outros, agravando o individualismo e dificultando cada vez mais mobilizações por um mundo melhor, com mais paz, respeito e saúde. Se tratássemos os nossos próximos como tratamos os desconhecidos, talvez não estivéssemos dentro de um caos tão assustador.
Se sentíssemos as dores dos outros como sentimentos as nossas, lutando por melhorias com força e união, teríamos mesmo que aguentar tantas dificuldades que aguentamos dia após dia? Acredito que não.
O complicado é saber que dificilmente mudaremos essa nossa mentalidade hipócrita, afinal, somos seres humanos e naturalmente somos desgraçados, creio eu.
Seven Devils - Florence + The Machine
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