Errado IV

  


                                                 O azar em forma de 26
                                                 Me deixou toda bagunçada
                                                 Perdida em meio às dores
                                                 Além da sensação de solidão aguçada        
                                                 Que me dói horrores

                                                 Escrevo para obter um rumo
                                                 Já que tiroteio sobre o projeto
                                                 Retirou das minhas ideias todo o meu futuro
                                                 Futuro esse de Rock'n'roll
                                                 Que talvez não se concretize por eu não ter lugar ao sol

                                                 Esses sóis brilham para poucos
                                                 Eles brilham mais para mim
                                                 do que para alguns outros
                                                 Pois minha maldita pele branca
                                                 Soa ser historicamente abençoada feito Querubim

                                                 Essa pela caucasiana chama a atenção
                                                 Excelentíssima atenção que não chega na ocupação
                                                 E enquanto eu sofro por falta de amor
                                                 Há uma mãe sendo tirada de sua casa por um guarda
                                                 Por um cão

                                                 Talvez eu devesse parar de reclamar
                                                 Por sofrimentos tão banais
                                                 Mas uma ligação apenas foi capaz de me acalmar
                                                 E agora uso das palavras para mais uma vez lutar
                                                 Lutar, amar e te abraçar!

                                                 Que a dor do Dois* chegue em você
                                                 Para que você se mova
                                                 E faça da falta de amor
                                                 Uma desculpa para a amar
                                                 Para lutar e compor!


                                                                                                                              *Pinheirinho II

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O que você deseja eu tenho de soja

A dificuldade das pessoas em me agradar e a minha dificuldade em agradar outras pessoas é intrigante.
Há pouco tenho notado que algumas coisas que fiz com certas pessoas, sem maldade alguma, voltaram para mim através de outras pessoas, em outras situações, mas que me fizeram notar a semelhança e o lado ruim do que eu havia feito anteriormente. 
Concluí que faço com os outros aquilo que não gosto que façam comigo.
Sou estressada, pseudo piadista, irônica, irritante, infantil, grossa, irresponsável, desleixada, interesseira, super crítica, mau humorada, exagerada, misantropa, apegada ..
Sou umas tantas coisas que eu não gosto nos outros. E por mais que eu queira agradar algumas pessoas que estão ao meu redor, eu não consigo controlar esse jeito espontaneamente chato que possuo.
Por mais que eu tente ser agradável, há aquelas ações que eu faço naturalmente e os outros odeiam. Assim como eu odeio quando os outros fazem isso, mas a intenção de agradar continua lá, mesmo que não tenha funcionado de maneira alguma.
Deixo, diariamente, uns compromissos para trás por diferentes questões que me desanimam de fazer os mesmos, porém quando se trata das minhas ações; do que faço com as mãos, com os pés, com minha voz (demasiadamente irritante), eu nunca controlo. Não ligo o que minha mente pretende fazer com o que meu corpo faz.
Às vezes acho que sou duas pessoas. Uma é a Ana que está na minha cabeça e a outra Ana, a mais filha da puta, é a que age. E essa dupla personalidade, se é que posso nomeá-la assim, volta e meia tem desagradado todos que estão em minha volta. Todos. Sem exceção.
É complicado agir por agir e ganhar uma reação do outro ser humano que não lhe agrada, assim como sua ação não agradou o outro. São nessas horas que o outro diz um BASTA para esse meu egoísmo que eu penso na quantidade de ações impensadas que já fiz sem ao menos pensar no sofrimento do outro ao receber esse presente da minha parte.
São nessas horas que desagrado o outro que penso o quanto já fiquei chateada com as ações alheias sem ao menos ter pensado no lado delas.
Afinal, por mais que você queira agradar alguém, geralmente essa pessoa ficará agradada somente com aquilo que ela quer dos outros. E dá para saber exatamente tudo o que o outro deseja e planeja para sua vida em sua mente?
Entretanto, fazer somente aquilo que se tem vontade também tem lá suas desgraças, porque você perde um pouco da visão sobre como suas ações atingem o outro e visa somente a sua satisfação com aquilo que faz ou deixa de fazer.
Adianta valorizar somente a sua própria alegria e esquecer de que não adianta conquistar sua alegria sem ter com quem compartilhar?
Mas mesmo assim, ainda acredito que não adianta nada reparar algumas ações nossas, porque creio que há aquilo que as pessoas gostam e aquilo que elas não gostam. Não existe meio termo, então por mais que você tente ser algo que não é, mas acredita que é o que a outra pessoa quer, não adiantará nada, porque será algo de soja e não vai agradar.
É por essas e outras que meus relacionamentos são falidos.


O Seu Tipo -
Filarmônica de Pasárgada

Não adianta camiseta do Che
E nem a barba que eu deixei de fazer
Nem mochilão do Chile até Machu Picchu
Eu nunca faço o seu tipo

Não adianta capa preta e coturno
No cemitério piquinique noturno
Fazer terror de se mijar o Mogica
Eu nunca faço o seu tipo

Não adianta paletó e gravata
Mamãe madame nem papai magnata
Pagar a conta, abrir a porta do carro
Eu nunca faço o seu tipo

Não adianta roupa de naturista
Perambular pelada pela Paulista
O que você deseja eu tenho de soja
Eu nunca faço o seu tipo

Já bebi shampoo
Já nadei no Tietê
Apareço no Datena pra você ficar com pena
Só você que não me vê
Pelo nível do ibope
Haja blush, photoshop
Cê não quer me conhecer!

Nem precisava aplaudir no final,
Muito obrigada pelo apoio moral
Mas é que ele/a

Mas é que ele/a nunca veio num show
Já fui cover da Madonna, do Elvis e do Magal
Do Bruno e do Marrone, e do Mamonas, do Ramones
Da Sandy, do Sepultura, de Caetano e Raulzito
E eu nunca faço o seu tipo!



(Deus é mais. Que postagem mais sem pé nem cabeça.)


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Errado III

Eu me disse

Disse que não vos aceitaria
Não adianta insistirem 
Eu não permito a vinda de vocês
nos meus dias por nem mais um dia

Erros alheios me tiram a paciência
E a falta de paciência me tira os errados
Talvez isso seja uma penitência 
Mas não tenho me importado com a salvação
Prefiro ter meus pensamentos honrados.

Diante desse provável teste
Sentimentos são jogados de mão em mão
Passam de Norte à Sul
Leste, Oeste.

E minha insistência no orgulho
me deixa aqui, sozinha
Sem os erros alheios, (Apenas com os meus próprios)
Esperando a vida terminar em linha.



Experiência, não esperiência.
*Empirismo, prática de vida, ensaio, a pessoa é capaz de experimentar, reconstruir e modificar algo.


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Tréplica

O capital, o livre mercado, a burguesia, o Estado Neo-liberal, a oferta e a procura, a polícia, a igreja, Jesus, a família, os bons costumes, o patriarcalismo, o público masculino, o privado feminino, a hierarquia familiar, a crença imposta, os impostos, os parcelamentos, as lojas, os eletrônicos, a propaganda, o produto de limpeza ao lado da mulher e vice-versa, os padrões de beleza de mulher para mulher .., a programação, o jornal falsamente sincero, a novela inútil, o programa sensacionalista e anti-ateu, os horários políticos desiguais, a santa classe C protagonista, a trilha sonora animadora e anencéfala, o futebol mercadológico, o entretenimento, o falso lazer, o trabalho assassino, a carga horária massacrante, o salário sinônimo de migalha, a escravidão disfarçada, a vida de gado (proletário), a desmobilização sindical, a traição partidária, a estrela outrora vermelha e agora verde, amarela, sei lá; a falsa esquerda, o excesso de consumo, o endividamento, o sonho de ser burguês, a meta da fama imbecil, o ódio da própria classe, a falta de união, a extinção da saúde, SOS SUS, filas doloridas, o homicídio hospitalar, a benção benzetacil, os funcionários fantasmas, as licitações podres, o privado no público, o viaduto, o IPI reduzido, a passagem do ônibus alta, a super lotação incômoda, o trânsito lento, a violência entre condutores de automóveis, a matança dos lutadores sem terra, a falta de respeito com os índios, o estupro banalizado, a mulher culpabilizada pelo que sofre, o homossexual não livre, a falta de liberdade de escolher o gênero, o rosa para meninas, o azul para meninos, o álcool e os cigarros na venda da esquina, as outras drogas na mesma venda, os antidepressivos na drogaria do outro lado da rua e nas mãos das crianças, a solidão, as energias ruins reunidas em shows com narcóticos e estimulantes, as falsas amizades juvenis, o pseudo senso crítico, o novo fascismo, o sadismo, o egoísmo anti assistência social, o sonho de Ordem e Progresso, a canonização do trabalho assalariado, o endeusamento do dinheiro pseudo natural, o ódio religioso, a chacina dos jovens negros, as cotas para supostos cérebros iguais, a noção inocente de chances iguais, a faculdade dos brancos, a criminalização do Movimento Estudantil recém ressuscitado, a democracia capitalista existente somente em sonhos e discursos conservadores, o medo do socialismo, a luta individual e apenas proletária para se manter o sistema vigente, o desvio do trabalho, o apoio à morte disfarçado de luta em prol da vida, mão de obra em excesso, baixos salários, lucros desnecessários, a desnaturalização do natural, a naturalização das invenções humanas, o tratamento falso com o próximo, o jogo de interesses que não se prende nas relações de mercado, a ideia enraizada na sociedade moderna de sempre tirar lucro em qualquer relação que se tenha, o desrespeito com os outros seres humanos por suas vontades pessoais, a opressão sobre os pobres, negros, mulheres, homossexuais, transsexuais e sobre qualquer ser que se assuma como diferente da grande massa padronizada feito qualquer mercadoria produzida pelos trabalhadores que ainda, nesse sistema nojento e falsamente democrático, não são emancipados como seres humanos ..

Ah! Tudo isso se encontra na frente do nosso real ser. Da nossa verdadeira existência.
Assumir-se é renegar ao máximo toda essa influência negativa da realidade que nos cerca e nos faz acreditar que o falso é verdadeiro e que o que importa é aquilo que no fundo não tem importância alguma.

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Ao meu caro novo amigo, Marcos Paulo.
Você escreve bem mais do que eu, bro. Mas o que vale é a paixão que se coloca nas palavras.
Abraço!


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