Spellbound

11.
Eis que surge uma enorme falta de auto confiança e a carência me pega de uma maneira completamente inexplicável.
Há a falta de algo sem rosto, nome e cor de pele. Não tem definição, mas faz falta.
Faltam os beijos, os abraços, as palavras amigas .. conversas à toas.
De repente eu surto, perco a capacidade de distinguir o que eu devo fazer e aquilo que não devo fazer.
Faço merda e depois não consigo compreender a "nova" vida que mudou há pouco devido aos atos tomados. Atos esses que foram feitos sem nenhum tipo de racionalização.

12.
Fantasmas não tão antigos retornam para tornar toda a bagunça já existente mais bagunçada.
O palco desse teatro maluco é uma mente de quase duas décadas, apenas. Mente cheia de sentimentos, rostos, frases, músicas, mentiras, visões malditas, medos ..
Lembranças de somente uma semana que se juntam ao conclave, ao prolapso da valva mitral, ao felino de quatro semanas, ao blog, a faculdade; rebeldia capilar e mais músicas ..
A repetição de 2012 está mais complexa. Há novos personagens, digo, novos figurantes, já que não ajudam, não propõem soluções, não mudam meu caminho, só bagunçam.
Atrapalham ainda mais a minha visão sobre a minha própria vida. Saiam da minha frente que eu quero me entender, suas pestes!

13.
Somente uma criança precisa do suporte de alguém mais velho por pelo menos 24 horas por dia, para que não faça coisas que possam a prejudicar.
Uma criança dificilmente saberá fazer o uso correto de uma quantia de dinheiro, ou do tempo livre que possui. Escolher o que fazer diante de situações de certo perigo(n) também é demasiadamente complicado para um ser humano com uma pequena bagagem de vivência.Decifrar as reais intenções dos outros seres humanos então .. Tarefa impossível para uma criança.
Crianças são seres bobos, sinceros consigo mesmos e crentes de possuir uma esperteza que na realidade não obtém.
Crianças sozinhas agem da pior maneira possível. Em suma, fazem merda e se ferram.



Sou uma criança.



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Saindo do armário

Há um universo reprimido em mim, em você, no seu vizinho, na sua professora e sem dúvidas naquela pessoa que o sorriso te faz sorrir.
Ah! Há também um universo reprimido naquele filho da puta, que você tanto odeia e deseja a morte.
Por mais sinceros que sejamos, sempre existe uma pequena desgraça própria que queremos esconder, fingir que não temos. Um exemplo claro é o pastor Marco Feliciano, que se diz um mensageiro de deus, mas na verdade, deve utilizar da religião apenas para benefício próprio. Ele também afirma não ser racista, mas convenhamos que algumas atitudes desse tal senhor afiram o contrário.
Um exemplo claro esse, mas nem sempre é.
Particularmente notei isso em alguns momentos particulares da minha vida.
São desculpas pedidas, declarações de amor inesperadas e alguns sumiços. Todos foram formas (formas foram?) falsas de se existir, ou mais especificamente, falsas maneiras de se agir, já que na verdade não havia sentimento de arrependimento, muito menos de amor e nem a coragem de se dizer o que quer.
Apontar toda essa mentira nas ações alheias é uma tarefa não muito complicada, também. As contradições estão aí para nos mostrar isso mesmo! O quão filho da puta o outro é, mas a questão sempre fica mais complexa quando a puta é a nossa mãe.
Não?
Passar dias, meses, anos, décadas; passar uma vida se passando por algo que no fundo não é, realmente, deve ser extremamente triste. A facilidade de não olhar para os seus próprios faz com que todos nós façamos essa burrice de tentar enganar nós mesmos, mas não tem como negar que isso não ajuda ninguém.
Por mais que os outros acreditem nessa sua mentira de existência, convenhamos, você não é aquilo que posa ser, então vamos lá! Vamos nos assumir!
Não acredito que exista algum mal nisso, afinal, só mudamos para melhor a partir do momento em que assumimos aquilo que fazíamos de "ruim".
Não tem porque fingir que não sente ódio, que ama alguém que na realidade não ama, que é forte sendo que na verdade é uma manteiga mole (entendedores entenderão).
Não adianta, caro ninguém. É inútil esconder toda a filha da putagem que existe em você, pois por mais que ninguém desconfie disso, o seu verdadeiro ser sabe de todos os medos e ações que você tenta esconder.
Então, por favor, leitor imaginário. Me ajude! Vamos sair do armário e vamos assumir tudo aquilo que existe em nós, mas que insistimos em esconder da sociedade que é tão podre quanto nós?
Eu estou saindo! Grito aos céus, hoje, dia 13 de Março de 2013 e afirmo que sou fraca.
Não. Não sou uma pessoa lá muito forte. Nem fisicamente e nem emocionalmente.
E que se for para o meu bem, como ser humano, que daqui algum tempo eu leia essa postagem ridícula e ria do que já fui e me orgulhe do que me tornei, assim como você, caso nada nos tire a vida nos dias que estão por vir.
Assuma o que você realmente é. Pegue o que for bom pra você e deixe o que te faz mal pra trás!
Saia do armário!

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Dia Internacional da Mulher?








*Eu sei que o Dia Internacional da Mulher é marcado por lutas históricas e tem o intuito de homenagear todas as lutas por igualdade, e atualmente é "comemorado" com algumas reuniões, debates e protestos, mas eu continuo não me sentindo contemplada pela data. Nada mais do que justo eu não me contentar em ganhar um dia em homenagem ao fato de eu ser mulher, ao invés de ganhar mais respeito, direitos e liberdade de Ser. 
Ser aquilo que eu quiser, independentemente do que a sociedade já criou para mim pelo que eu tenho no meio das pernas. 

Hoje, o Dia da Mulher.
É estranho acordar e notar que o assunto do dia é a mulher. Me senti perdida em meio a tantos comentários sobre as mulheres, sobre o que é ser mulher e sobre o que o dia da mulher significa. 
De um lado temos todo o significado de luta e consciência de discriminação por gênero, e de outro temos a invasão do consumismo em mais uma data comemorativa. 
Uns pensam que o dia 08 de Março é marcado pela luta das mulheres pela igualdade, outros pensam que é dia de comprar flores e outros mimos para os seres humanos xx.
Eu não penso nada. Na verdade, eu nunca havia pensado nada.
Talvez seja porque eu sou feminista e penso diariamente em vários aspectos que envolvem o fato de ser uma mulher na sociedade machista em que vivemos, e não só em um dia do ano. Ou talvez seja porque eu ainda não consigo separar muito bem seres humanos entre homens e mulheres no meu dia-a-dia, por mais que eu tenha consciência sobre as questões que envolvem esses dois papéis sociais.
Porém o motivo que faz mais sentido é o de que essa data comemorativa não muda nada na vida das mulheres, então eu não dou importância à isso. Ou não.
Nós, que nos tornamos mulheres socialmente, não ganhamos o mesmo salário que os homens, mesmo fazendo a mesma quantidade trabalho. Continuamos trabalhando fora, ganhando menos do que deveríamos, e ainda temos que carregar o fardo criado pela sociedade de cuidar isoladamente da casa, dos filhos e do marido. Ainda temos que nos preocupar com o horário de sair e com as roupas que vestimos para não sermos assediadas e posteriormente, acusadas pelo abuso sofrido. 
Temos que nos ver diariamente em comerciais de produtos de limpeza e ler na capa de quase todas as revistas como fazer para ficarmos dentro dos padrões de beleza e como devemos fazer agradarmos os homens, afinal, segundo a sociedade machista, estamos aqui justamente para servir os homens. 
Homens esses que não ficam de fora das regras impostas pelo machismo, afinal, ser homem logo é ser rude, pegador, provedor da família e fã de futebol, além de outros tantos aspectos. Se algum homem não segue esses padrões e alguns outros, já não serve como homem, assim como uma mulher que por qualquer desvio do padrão que nos é imposto, já não pode ser mais considerada digna de respeito dos homens, e nem de outras mulheres, que incrivelmente ainda não se reconheceram como reprimidas pelo sexismo que em pleno século XXI ainda não foi extinto. Pasmem! 
O Dia Internacional da Mulher pode servir para comemorar alguns avanços que tivemos em relação ao tratamento das mulheres como seres humanos, tais como os homens, mas ainda temos tanto para conquistar que não faz lá muito sentido reservar um dia para uma comemoração tão falsa.
Não basta usar calça, trabalhar fora e poder votar. Isso não significa que o machismo foi extinto, se uma em cada três mulheres será vítima de violência. 
De que adianta essas poucas vitórias, se ao sair na rua temos que engolir a seco aquilo que gritam para nós dos carros? 
De que adianta ganhar flores se caso uma mulher for espancada pelo parceiro, logo todos perguntarão o que ela fez para merecer a surra, sem ao menos questionar o ato de violência?
De que adianta bombons se amanhã vou ligar a TV e ver um comediante dizer que mulher "feia", que é estrupada tem que agradecer o estuprador?
De que adianta essa comemoração toda se mulheres estrupadas ainda são culpabilizadas pela violência que sofreram?
De que adianta uma imagem bonita no Facebook se o aborto ainda é crime?
De que adianta essa porra toda se qualquer coisa atitude de liberdade que uma mulher toma torna ela uma Vadia?
Homens continuam sendo vistos como superiores as mulheres. Mulheres brancas e "femininas" continuam sendo vistas como superiores as mulheres que não seguem os famosos padrões de beleza. 
Temos mulheres que são consideradas superiores as negras, indígenas, transsexuais e travestis, afinal, mulheres também reprimem outras mulheres e outros homens. Mulheres também reproduzem, dia após dia, o machismo nojento que ainda parece ser inerente à sociedade.
Não me sinto contemplada com o que Dia Internacional da Mulher se tornou, se em todos os dias as mulheres, os negros, os indígenas, os membros da comunidade LGBT, os trabalhadores etc, ainda sofrem as consequências do preconceito e da desigualdade social.
Infelizmente, em mais um 08 de Março, a sociedade continua divida, mas a luta pela igualdade, em todos os aspectos, continua.



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Tão natural quanto a luz do dia

Dia 06 de Março de 2013, um dia triste.

No dia 05 o sentimento de perda já atordoava a minha mente e a mente de uma amiga minha por conta de certos acontecimentos. Notícias sobre a perda de um ente querido e a falta de notícias de uma outra pessoa chateavam nossos corações e entristecia nossa conversa pelo celular.
A tristeza, sem dúvidas, já pairava sobre nossas almas no mesmo momento.
Eu fui dormir com a mente focada em sentir e compreender o sentimento ruim que estava tentando ser visto por mim, trabalhado e assim pronto pra me permitir mais uma etapa de evolução.
Senti intensamente a tristeza da perda de algo, ainda indefinido, durante a madrugada. Dormi.
Acordei com essa tristeza correndo pelas minhas veias e vejo a notícia de que o Chorão morreu.
Putz! Toda a angústia que a perda causa foi sentida na hora que li a notícia e continua sendo. 
Vi ir embora umas pequenas alegrias, esperanças, amores e um puta artista que tem seu nome cravado eternamente na trilha sonora da minha vida.
Todo esse sentimento de perda em apenas um dia é nada mais, nada menos do que FODA.
Eu, particularmente, me sinto perdida. São pequenas mudanças, que querendo ou não são intensas demais pra se encarar em um dia, juntamente com discussões familiares e cólica.
O ápice de alegria, de uma hora pra outra, virou o ápice da tristeza. 
Insegurança
De fato, a palavra insegurança define brilhantemente todo e qualquer momento em que alguém perde algo.
Seja uma coisa, uma pessoa ou um sentimento. Sempre que se remove algo que era da sua rotina, por mais ruim que isso seja, há o estranhamento. O medo de enfrentar uma nova realidade.
Nada como sentir toda a insegurança e medo logo de uma vez, e da maneira mais intensa possível. 
É nosso direito sentir muito pelas perdas que temos durante a vida. É nosso dever aprender com essas perdas e propor para nós mesmos novas maneiras de viver. 
Continuar
Continuar é exatamente a mensagem que eu tomei pra mim mesma no último texto de merda que postei aqui, e cá estou eu, um dia depois, tendo a dificuldade de continuar após algumas pequenas perdas pessoais. 
Definitivamente, isso não é nenhum pouco fácil, ainda mais quando você decide tocar na ferida logo de uma vez, sem tentar se enganar. É dolorido. 
Perder é sofrido. 
É incômodo ser retirado do mundo onde estava acostumado a viver, com as pessoas em seus devidos lugares e assim os sentimentos, para um lugar em que pequenas peças tenham trocado seus lugares.
As lembranças do que foi vivido e a tentativa de adaptação ao mundo novo são cargas difíceis de se carregar, mas extremamente necessárias para a nossa construção de paisagens novas e vivências diferentes.
Viver o igual jamais será possível e volta e meia eu tenho aprendido isso com minhas perdas.


Céu Azul - Charlie Brown Jr.



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Chorão

Uma pequena lembrancinha do cara que deixou de compartilhar do mesmo planeta que nós hoje.
Chorão ♥

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Cólica

Eu vejo dores em você.
Pois é. Há alguns dias eu venho notado em algumas características muito próprias de alguns seres que eu me relaciono momentaneamente, e infelizmente ficou claro e óbvio a tristeza reprimida em cada um desses belos seres humanos perdidos em si mesmos.
Esse estado de espírito dessas pessoas é uma droga, de fato. Falo isso porque já passei por isso e sei bem como o sentimento de "centro do universo" fode com as nossas relações com outros seres humanos.
Os relacionamentos mal resolvidos com ex-namoradxs, ex-amigxs e pais não permitem a evolução dessas pessoas e o que irrita é ver que elas não fazem absolutamente nada pra mudarem a situação delas. Muito pelo contrário, o que esses seres mais fazem é desfocar.
Desfocam a dor, a raiva, a mágoa, a saudade ..
Fazendo com que todos esses sentimentos negativos e antigos nunca se soltem delas.
O pior de tudo é que eu me encontro no meio dessas pessoas, mesmo já tendo passado por isso e aprendido a ver essas decepções diárias de outras maneiras.
Minha mente anseia por relações claras, sinceras, divertidas, leves e evoluídas, mas por alguma razão ainda incompreendida por mim, eu não consigo alcançar pessoas que possam me proporcionar esse estilo de relacionamentos. Ainda vivo diariamente com seres perdidos em suas angústias, presos em mentiras e falta de coragem.
Ainda apanho diariamente dessas pessoas que por estarem perdidas, agem em prol dessa busca desgovernada de um caminho menos sofrido pra elas e acabam se decepcionando e me decepcionando, porque relações criadas pra tamparem uma dor antiga e mal enfrentada nunca vão dar certo. Nunca!
É realmente desanimador abrir seus olhos para novos horizontes e não ver isso em alguns seres que são tão belos e poderiam ter muito mais a oferecer ao próximo ao evoluírem suas mentes e saírem do estado de dor em que insistem em ficar.
Maldito sufoco que sinto em estar em meio a relações mal resolvidas que só são tão mal resolvidas assim pelo fato de algumas pessoas não conseguirem falar o que querem.
A angústia delas ao fazerem milhares de coisas que não agradam elas de maneira alguma chega em mim de tão forte que é. Eu que não tenho absolutamente nada a ver e mal conheço esses seres, consigo sentir a dor delas de longe e consigo ficar angustiada com isso. O que me faz lembrar que eu não posso ficar presa nas pessoas e em suas dúvidas.
Preciso continuar caminhando e que sigam-me os bons. Aqueles que não sentem vontade de estarem presentes de maneira completa comigo, que falem.
Vamos todos nos resolver. Com nós mesmos, com ex-namoradxs, ex-amigxs e nossos pais.
Vamos viver intensamente, mesmo que seja passando a tarde deitados no sofá vendo novela mexicana.
Vamos declarar nosso amor e nossa falta de amor. O que há demais em fazer isso?
Vamos nos assumir. Não tem porque querer sumir, certo?


Let it Fall - Lykke Li

So I weep
And I won't stop until my tears are all shed .. ♫


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