Comptine d'Un Autre Été

E pela segunda vez eu me encontro na mesma situação, no mesmo estado, no fundo do mesmo poço.
Felizmente não consigo distinguir o pior do menos pior, até porque a memória acerca do sofrimento passado foi gradativamente se apagando, sobrando apenas pequenas ideias do que já ocorreu anteriormente. E isso é bom. Muito bom.
Tomando por base o que se sucede neste momento, o esquecimento acerca do passado é reconfortante, pois a dor é insuportável. Tão insuportável que a única solução para um certo alívio é arrancar o coração fora e/ou simplesmente apagar sem previsão de retorno.
As horas não passam, as pequenas alegrias (fugas) encontradas durante o dia logo se desfazem e somem no ar, restando novamente a angústia e a dor. Sim, dor! Dói. Estala de tanta dor, e lágrima alguma é capaz de tirar tudo isso de dentro de mim. Simplesmente fica e machuca, sem previsão alguma de apenas ir embora e nunca mais voltar durante a noite para me atormentar.
Dói não pela perda de alguém, mas sim pela perda de mim mesma, da perda de tempo, da perda de pessoas verdadeiras na minha vida, na perda de alegrias, na perda de noites passadas aos prantos enquanto o outro seguia alegremente sem a mínima preocupação ou consideração.
Dói pelas chances dadas, pelas esperanças constantemente criadas e logo depois decepcionadas sem pudor algum.
Dói pela perda de um ano e depois meses de juventude, de amor próprio, de vida! E mesmo repetindo isso constantemente, eu jamais poderei mostrar para um ser sequer o quão grande é o sofrimento que sinto nesse instante, e mesmo que conseguisse expor, ninguém jamais conseguiria sentir exatamente o que estou sentindo. Não digo isso por achar que minha dor é maior, mas sim por saber o quão particular ela é e como me afeta agora e afetará para sempre.
Mais uma vez o que me resta não são boas lembranças, muito menos algum tipo de saudosismo, mas sim a dor, o medo de seguir em frente e, no caso, passar por tudo que já passei de novo. Me agoniza pensar que o sentimento de déjà vu está presente e seguirá comigo por bastante tempo.
Prevejo um longo período de retrospectiva acerca de tudo, do começo ao fim, buscando as minhas próprias falhas e as remoendo em lágrimas de arrependimento. Arrependimento de me ser! De cometer os mesmos enganos, os mesmos perdões e acabar num quarto fechado com as luzes apagadas ao som de Yann Tiersen ... Só. Além do mais, ainda contarei sempre com a presença de uma voz que constantemente me lembra da falta de valor que possuo. Isso por responsabilidade minha de esperar retornos alheios enquanto tento quase que secretamente ser de grande estima para o outro. Nunca fui e jamais serei, e isso machuca.
Pensar, fazer, sonhar, esperar! Tudo para nada. Nada além de desapontamento e depressão presente por anos.
Entretanto, apesar de todo o prejuízo adquirido no término, eis que me resta um pouco de esperança sobre mim. Talvez não nesse campo da vida, mas sim em outros menos reconfortantes para a "alma". Não completa tudo aquilo que desde cedo acreditei e esperei, mas cada vez mais aprendo que o completo, o perfeito, não existe. Antes me contentar com aquilo que minhas mãos alcançam, que sofrer uma vida toda por aquilo que se encontra na prateleira mais alta.
Pode ser que isso não aconteça somente comigo, quiçá eu não esteja só na solidão. Enfim, o que me resta é a dúvida e a dor a ser sofrida com êxito.
Mais uma vez


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Estupidez

É tudo uma ideia. Ideia criada por nós mesmos e que nós mesmos acreditamos.
Alguns fazem isso com seres superiores e criam as religiões, outros com estilos de vida, outros com coisas e nós com pessoas reais. Até porque acredito que não estou só nesse triste grupo de pessoas que idealizam outras pessoas através de suas próprias ideias e vontades, se apaixonam pelo monstro criado e depois se desapontam ao ver as nuances de verdade rasgarem pouco a pouco a roupa que vestimos em cima da real pele dos outros.
É uma tristeza que só! E aqueles que possuem um pé na cova da anti-socialização, acabam, devido a constantes choques de realidade, por caírem completamente e serem enterrados para sempre.
Não afirmo que o problema sejam os outros, mas sim nós mesmos, humanos, tão presos a falácias que nós contamos em nossas mentes futurísticas que não se contentam com a realidade difícil e passam por inventarem outras mais confortáveis.
Nestes casos a tristeza sofrida é merecida, afinal, o quão estúpido é aquele que cria uma fantasia e cai em sua própria ilusão, sofrendo depois ao ser puxado pela realidade que não para de correr e de nos bater?
Porém não é fácil também sair deste vício, assim como de qualquer outro existente. De uma só vez não adianta, mas creio que pequenas doses de desapontamentos guardados se tornam maiores e mais eficientes nesta função de chacoalhar um imbecil que um ocorrido deveras complicado de enfrentar. E ainda assim deve-se acrescentar certo nível de espertes e maturidade.
Com sucesso se conquista um cético em relações interpessoais.

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Ho Ho

É a velhice
É o velho Noel
Ambos chegando,
trazendo novidades
pro que é supostamente novo
e envelhece
Nova-mente.

Vamos cair na mesma falácia
Vamos cair na mesma propaganda
Do amor e da compra
Cegos
Falsos
Enquanto a fome dói lá
Longe?

E na ceia (,) privada
de verdade
de senso de onde tudo veio
e pra onde vai
Pelas mãos de quem passou?
Mãos pequenas
de uma infância, talvez

Às 0h00 "Ele" nasceu
Veio ao mundo o sonho
de sermos especiais 
de sermos Os escolhidos
de sermos protegidos
Abençoados
e "bandido bom é bandido morto!" - disse assistindo a notícia sobre a Chacina da Candelária. 

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O que está fora de seu lugar ...

Todo um caos instaurado em nós
Ele me é estranho, incômodo
Socialização violenta e corrida
que não me dá um tempo
e não me dou
pra pensar
refletir
sentir
escolher, lentamente.

O círculo circunflexo nos circula
e o estômago frágil me faz passar mal
São vozes
Sopros
Assopros
Empurrões
"Vamo! Vamo! Anda logo, menina.
Vai ficar parada aí vendo o tempo passar?"
Respondo: sim

Isso tudo não te gera dúvidas não?
Incertezas?
Repensar o que se faz
quer
deseja
pressupõe
para si mesma.
Ou sobre os outros.
Será que realmente são?
Ou sobre tudo.
Será que realmente tem que ser assim?

Assim:
caótico
rápido
impensável
frio
alienante
distante
falso
real
pitadas de imaginação
conveniente, claro
e apenas.

Você também não quer?
Sou só eu?
Ajuda!

Vamos parar e trocar uma ideia, adorável página em branco.
"... Que você venha pra modificar!"

Sorte e Azar - Pato Fu

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À maioria

Boa noite, "maioria". Tudo bem?
Suponho que sim, afinal a vida permeada de privilégios deve ser, de fato, maravilhosa. Mas reconheço que devem haver momentos ruins também na vida de vocês, que possuem diversos privilégios em uma sociedade tão desigual quanto a nossa, até mesmo porque a vida não é algo estático, linear, em que são separadas pessoas com todos os privilégios possíveis e pessoas sem privilégio algum. Agora, convenhamos que há aqueles que tiveram porções a mais de boas chances na vida do que outras e como encontro esse tipo de pessoa em vocês, dedico meu inútil desabafo virtual à vocês mesmo, com muito carinho e muito amor.
Bom, eu estou perdendo meu precioso tempo repleto de responsabilidades a serem cumpridas com isso porque tenho me calado há tempos ao constante defecamento que vocês, meus caros, expõem durante a vossa "liberdade de expressão". Liberdade essa que não é nada além de um combo composto por um ego inflado, falta de educação pautada num mínimo senso crítico e criação leite com pera. Em suma: frescura.
Vejo isso através de qualquer embate que fere toda a socialização perfeita que tiveram ao longo dos seus anos de vida, afinal, o chororô nunca é deixado de lado e vocês fazem toda a questão do mundo em reclamar o direito de serem o que são, tirando todo o espaço alheio de serem o que também são, devido ao fato de nada poder ser diferente do que vocês pressupõem. Quando isso acontece, o vitimismo reina e qualquer palavra que contrarie suas vontades é uma ofensa, uma "verdadeira opressão contra pessoas privilegiadas", o que é bastante cômico e/ou trágico.
Vocês, brancos de classe média conservadores, machistas, homofóbicos (fica subentendido que sejam cristãos, viu?) são os novos oprimidos do mundo. Não é mesmo?

Se alguém questiona seu privilégio branco, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu poder aquisitivo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu conservadorismo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu machismo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona sua homofobia, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona sua igreja, você está sendo oprimido.

Realmente. Ser branco de classe média conservador, machista, homofóbico e cristão é ser subjugado na sociedade. Aliás! A sociedade que vocês imaginam viver deve ser marcada pelo poder dos negros, dos indígenas, dos pobres, dos socialistas, das feministas, das lésbicas e dos gays e dos ateístas sobre vocês, pobre coitados, sempre tão oprimidos.
Entretanto, venho aqui dizer que não. Vocês não são oprimidos. Vocês não estão tendo seus maravilhosos direitos violados quando o lado verdadeiramente oprimido conquista direitos. Na verdade, você só está perdendo privilégio sobre o outro e isso deve ser, de fato, algo muito incômodo, não é? Porque as lágrimas de vocês não param de cair por um só instante. Inclusive, tais lágrimas começam a ser derramadas 1 segundo após alguém recusar a ideia de mundo que vocês possuem. Como eu disse no começo: leite com pera.
Eu não sei se a rigidez repassada pelos meus pais à mim (a mais privilegiada dos quatro) e aos meus três irmãos possa ter feito com que eu enxergasse as relações de maneira diferente, mas eu sempre concluo que as pessoas não aguentam dificuldades, não aguentam alguns "nãos" na vida, alguns esporros. Sinceramente, me parece que vocês são crianças com seus brinquedos (privilégios) em que quando dá a hora de tomar banho e a mãe vem tirar os brinquedos das mãozinhas, vocês aprontam um escândalo como se o mundo fosse acabar só por não poderem brincar mais.
Frescura pura!
Opressão é o nariz! Vocês não são oprimidos, meus caros. Segurem esse forninho na vida de vocês.
Não adianta chorar, porque os realmente oprimidos vão lutar sim até conquistarem direitos iguais aos de vocês, e a partir disso, seus maravilhosos privilégios vão se extinguir. E o chororô vai ser em vão.
Portanto, poupem as lágrimas e a minha paciência, porque o vitimismo não está funcionando, muito pelo contrário, só me dá animo para bater de frente contra toda essa ideia de vida e sociedade que vocês possuem e que eu não aceito para a minha pessoa.


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Ilha

Este blog é, de fato, um baú onde são guardados os lenços enxutos de lágrimas dos meus dias mais tristes. Acho que isso ocorre pela necessidade imensa de viver os momentos bons e jamais querer me despedir dos mesmos, nem que seja para expressar alegrias em palavras, juntamente com a falta de ouvidos devidamente limpos e atenciosos aos momentos de sofrimento, o que torna tal espaço em branco o único lugar silencioso, calmo e prontamente livre para receber e compreender minhas dores mais profundas.
Tal constatação é a maior tristeza do dia. Sem dúvidas!
Acredito eu que a observação exposta acima me faz pensar, neste exato instante, que eu provavelmente tenha alcançado o fundo do poço, onde não se acha mais empatia, amor, felicidade. Nem ao menos um pingo de esperança.
Claramente estou sendo dramática e tudo isso provavelmente passará e eu acabe me esquecendo de tamanha dor sentida no peito, mas ainda sim penso que posso bater o martelo e afirmar que nunca estive numa colocação tão negativa ao longo destes míseros vinte anos de pseudo existência.
O sofrimento mór é por estar aqui, neste blog, contando para mim as minhas próprias tristezas pela falta de alguém que queira e/ou possa compreende-las. Na realidade, provavelmente qualquer pessoa ao meu redor poderia me auxiliar em tal momento, mas eu dispenso pedidos de ajuda ao máximo que posso e sempre espero que alguém próximo note durante uma conversa ou alguma colocação minha que os tempos não vão bem para o lado de cá, e se proponha a melhorar o ser humano ao lado.
Eu sempre acreditei nesta máxima, principalmente se tratando de relações extremamente próximas. E continuo a acreditar, quero acreditar. Não concordo com o fato de desistir de tal ideia e ver como as coisas realmente são.
Isso me deixa triste.
Deixar de lado as minhas utopias infantis sobre os seres humanos e as relações criadas e mantidas pelos próprios me deixa triste.
A decepção de não ter relações sinceras, boas e agradáveis com outros seres humanos me deixa triste, mas não a ponto de desistir das minhas concepções ingênuas e quiçá egoístas.
Prefiro, então, me manter fora do que me é proposto. Sofrer por isso. Me entristecer por precisar conversar com uma página virtual em branco. Entretanto, minhas convicções continuam firmes e talvez assim, estando quase em uma ilha, as lágrimas alimentadas por outrem diminuam.


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Up in the Air

Procrastinar a vida foi o que se foi mais feito durante essas duas décadas cheias de quase vazio, e penso eu que isso chegou ao ápice, ao inadmissível.
O tempo passa rápido, ser.
Quanto mais passa, mais rápido. Quanto mais rápido, mais passa. E ver passar e acelerar enquanto se balança a rede e o suco de laranja natural diminui no copo e aumenta no estômago, durante todo esse tempo é nada além de burrice.
Mansidão Imensa!
Vou vendo o mundo existente em feed, enquanto copo sujo de coca tomada há dias ao assistir uma série estadunidense fede.
Me controlo nas minhas próprias básicas vontades por ver que ao fim do mês nem ao menos uma passagem de ônibus terei como pagar.
Fico à madrugada perambulando pelas janelas virtuais e a janela do quarto em momentos de extremismo vazio, para no dia seguinte acordar às 11h e nada.
Não de nadar. De nada.
Suportar desrespeitos diários e manter o discurso de empoderamento alheio. Contradição descarada.
Procrastinar vontades, sentimentos, opiniões, ações, em suma, a vida, enquanto o falar falacioso é falado dia-a-dia.
Será que já chega? Ou deixo essa decisão para amanhã?


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THIRTY SECONDS TO MARS - Up In The Air

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