You've put me down upon my knees

"Preste todas as provas", me disseram
"Vá pra lá!
Não importa o que você realmente queira"
Despedacei meus sonhos e fui
Passei pelo caminho das pedras
Passei pelo caminho dos espinhos
Passei pelo caminho dos eletrochoques
Rumo ao paraíso
À Academia,
que como todo paraíso é uma farsa
Infernal
do Início ao Fim
Doentio
Massacrante
Mesquinho
Mau
É uma suga constante
e desnecessária
Quase uma lobotomia
Dizem que é para você "estar preparado para o mundo lá fora"
Queria eu estar no mundo lá fora
É ruim? Não possuo dúvida alguma
Mas talvez não me faça vomitar
Não me dê dores agudas de cabeça
Não me dê dores torturantes nas costas
Não faça eu me cobrar tanto
Ao passo de correr e esquecer que posso morrer
Ao passo de me sentir um nada
Ao passo de considerar o suicídio por uma nota abaixo de 8
Ao passo de me considerar um fracasso
Fracassada por não ter começado o TCC
Fracassada por não ter conseguido ir direto para a Pós
Fracassada por não conseguir obter todos os documentos necessários
Fracassada por não saber responder uma pergunta aleatória na frente de quarenta pessoas
Fracassada por não colocar em Introdução, Desenvolvimento e Conclusão
Um sentimento de inutilidade por não ser a melhor
Tudo isso que gera um mal estar físico
Psíquico
Fruto do abuso diário
velado no título de intelectual
que nada mais é que uma máquina copiadora
É a empresa geradora de impressoras
Focadas em inutilidades e superficialidades
Baseadas na exploração mental
O resultado disso?
Se alguém sobreviver até lá para poder constatar ...
Ele te manda uma resposta com começo, meio e fim.




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Amigdalite

Amígdalas, minhas caras
Vocês são parte de mim
do meu Eu completo
e claramente desfuncional.
Estamos aqui nessa missão juntas!
Sei que meus ovários têm seus problemas
e meu cérebro também
Foram várias demonstrações de fraqueza
Mas eu os compreendo
A genética explica
O remédio diário resolve
Porém vocês duas, minhas garotas
Vocês eu não entendo
Não perdoo
A dor é insuportável e mal interpretada
As consequências também
Vocês estão me abatendo pouco a pouco
Vocês me impedem de fazer coisas simples
Vocês me impedem de falar
De COMER, céus!
Por quê?
Me digam! Por quê? O que eu fiz?
Tudo pela falta de exercícios e alimentação saudável?
Eu tento! Juro que sim, só que essa não sou eu
Por que não me entendem?
Por que se vingam tão dolorosamente?
Foram tantas injeções, pílulas, chás,
colheradas de mel, pastilhas e noites em claro
Lágrimas ao engolir minha própria saliva
E eu sei que não acaba por aqui
Sei que se eu retribuir seus atos nocivos, irei sofrer também.
Mas chega! Chega!
Não suporto mais vocês aqui, me nocauteando sempre que podem
Eu vou acabar com vocês, malditas amígdalas!


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21

Festa
Congressos
Praia
Estágio
Aulas
Falta de férias
Discussões
Término
Festas
Depressão
Friends
Provas
Recaída
Terapia
Término
Calmante
Suicídio
Abcesso
Internação
Renascimento
Acumulação de atrasos
Rio de Janeiro
Festas
Praia
Álcool
Perseguição
Medo
Inimizades
Celular estragado
Mudança
Franca
Trabalhos
Aniversário
Falta de festa
Introspecção
Família
Dor nas costas
"Última" prova
Sono da tarde
Calmaria
Fim da graduação
Fim de amizades
Fim de um modo de encarar as coisas
Fim de um ciclo
21 anos de idade

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Before I turn the lights out

Eu não sei
É um processo de algo
De que?
Não sei!
Já não disse?
Não sei de mais nada
Tudo é vago
Parece que não vivi nada disso
Outra pessoa?
Talvez ...
Coisas aconteceram
Todas ruins?
Não!
Mas as boas ...
Ah! As boas
Elas se foram
Não me deixaram marcas
As ruins sim
Mas eu não as acho
O que?
As marcas
Não sei onde estão
De onde vieram 
e nem o motivo
mas elas existem.
Dá pra sentir
Segure minha mão!
Sentiu?
Não?
Foda, mas olha:
eu te garanto que estão aqui!
Juro
Não acredita?
Por quê?
Não pode sentir
Eu sei!
Mas eu sinto
Bobeira?
Pode ser
É provável 
Só pode ser
É a resposta plausível 
A mediocridade é:
minha
ou
de 7 bilhões?
AH!
Ainda há tempo
Procrastinemos 


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Paroxetina e Clonazepam

Vocês criam um meio homicida de todo que nele habita
São milhares de anos ajeitando o solo para expulsar nós mesmos
Um ambiente inteiramente hostil

Desde pequena cercada pelo desagradável
com a potencialidade de sentir os extremos
Aquele que somente se externava no enrijecimento dos braços e das pernas
Na cegueira dos olhos e dos lábios

O sintoma é dizimado pelo controle diário
Frascos vermelhos, sabor de cereja, talvez
Porém o potencial continua
Evolui a cada novo acontecimento agregado à memória
Me engole
Te engole em mim
Estica, chacoalha, bagunça, alfineta, rasga
Sufoca!
E vem sufocando dia após dia até não dar mais

Tudo desmorona e pesa a mente
Não há para quem externar, pois todos já foram embora
Não há para onde externar, a não ser em tapas e puxões
Apenas há a descoberta de que as lágrimas, quando constantes
Ressecam as pálpebras.
E a solução? A solução é química
Made in Laboratório
Podem me bater agora
Eu só sinto sono

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Resposta à hipocrisia

Uma de minhas maiores defesas é:
Seja sincero com você mesmo!
Sim. Por favor?!
Não há algo mais feio que uma pessoa tentando disfarçar seu verdadeiro Eu por não ser tão agradável aos olhos alheios, que convenhamos, não são tão belos assim também.
A imperfeição é uma lei a qual todos obedecem, sempre. Quebrar tal regra é uma utopia que todos têm dentro de si e somente dentro de si.
Simples? Obvio que não, mas necessário. Precisamos compreender nossas verdadeiras falhas e aceitá-las, encará-las e mostrá-las aos outros. Só assim saberão quem, de fato, somos e poderão decidir se nos aceitam ou não.
Eu creio que se tudo isso fosse feito, mágoas não estariam atormentando as pessoas durante a noite como me atormentam agora.
Se fossem sinceros comigo eu não estaria no poço em que me encontro.
Se aceitassem que nem tudo que fazemos é bom, é plausível, talvez eu pudesse dormir tranquilamente, sem memórias ruins assombrando.
Se todos tivéssemos a completa noção do mal que podemos causar por, naturalmente, sermos falhos e desiguais, talvez eu não estaria escrevendo isso para que pelo menos uma pessoa no mundo pudesse ler e repensar a ideia que possui de si mesma e que vende aos outros inocentes.

O problema é, justamente, ser quem é. Seu verdadeiro Eu é falho, é imperfeito, é egoísta, é injusto, é pretensioso, é descuidado, é mentiroso, é infiel, é ruim à sua maneira.
A mudança é impossível de ser realizada? Sem problemas. Aceite quem realmente é, mostre isso aos outros na primeira oportunidade e inclua ao seu circulo social aqueles que se encontram em alguns desses aspectos, que compartilhem de coisas parecidas alegremente. Aqueles que não querem aceitar, deixe-os em paz. Deixe eles serem felizes à sua maneira também, com suas falhas particulares.
Vamos viver a nossa própria mediocridade "de boas", sinceramente! É só isso que lhes peço.


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Comptine d'Un Autre Été

E pela segunda vez eu me encontro na mesma situação, no mesmo estado, no fundo do mesmo poço.
Felizmente não consigo distinguir o pior do menos pior, até porque a memória acerca do sofrimento passado foi gradativamente se apagando, sobrando apenas pequenas ideias do que já ocorreu anteriormente. E isso é bom. Muito bom.
Tomando por base o que se sucede neste momento, o esquecimento acerca do passado é reconfortante, pois a dor é insuportável. Tão insuportável que a única solução para um certo alívio é arrancar o coração fora e/ou simplesmente apagar sem previsão de retorno.
As horas não passam, as pequenas alegrias (fugas) encontradas durante o dia logo se desfazem e somem no ar, restando novamente a angústia e a dor. Sim, dor! Dói. Estala de tanta dor, e lágrima alguma é capaz de tirar tudo isso de dentro de mim. Simplesmente fica e machuca, sem previsão alguma de apenas ir embora e nunca mais voltar durante a noite para me atormentar.
Dói não pela perda de alguém, mas sim pela perda de mim mesma, da perda de tempo, da perda de pessoas verdadeiras na minha vida, na perda de alegrias, na perda de noites passadas aos prantos enquanto o outro seguia alegremente sem a mínima preocupação ou consideração.
Dói pelas chances dadas, pelas esperanças constantemente criadas e logo depois decepcionadas sem pudor algum.
Dói pela perda de um ano e depois meses de juventude, de amor próprio, de vida! E mesmo repetindo isso constantemente, eu jamais poderei mostrar para um ser sequer o quão grande é o sofrimento que sinto nesse instante, e mesmo que conseguisse expor, ninguém jamais conseguiria sentir exatamente o que estou sentindo. Não digo isso por achar que minha dor é maior, mas sim por saber o quão particular ela é e como me afeta agora e afetará para sempre.
Mais uma vez o que me resta não são boas lembranças, muito menos algum tipo de saudosismo, mas sim a dor, o medo de seguir em frente e, no caso, passar por tudo que já passei de novo. Me agoniza pensar que o sentimento de déjà vu está presente e seguirá comigo por bastante tempo.
Prevejo um longo período de retrospectiva acerca de tudo, do começo ao fim, buscando as minhas próprias falhas e as remoendo em lágrimas de arrependimento. Arrependimento de me ser! De cometer os mesmos enganos, os mesmos perdões e acabar num quarto fechado com as luzes apagadas ao som de Yann Tiersen ... Só. Além do mais, ainda contarei sempre com a presença de uma voz que constantemente me lembra da falta de valor que possuo. Isso por responsabilidade minha de esperar retornos alheios enquanto tento quase que secretamente ser de grande estima para o outro. Nunca fui e jamais serei, e isso machuca.
Pensar, fazer, sonhar, esperar! Tudo para nada. Nada além de desapontamento e depressão presente por anos.
Entretanto, apesar de todo o prejuízo adquirido no término, eis que me resta um pouco de esperança sobre mim. Talvez não nesse campo da vida, mas sim em outros menos reconfortantes para a "alma". Não completa tudo aquilo que desde cedo acreditei e esperei, mas cada vez mais aprendo que o completo, o perfeito, não existe. Antes me contentar com aquilo que minhas mãos alcançam, que sofrer uma vida toda por aquilo que se encontra na prateleira mais alta.
Pode ser que isso não aconteça somente comigo, quiçá eu não esteja só na solidão. Enfim, o que me resta é a dúvida e a dor a ser sofrida com êxito.
Mais uma vez


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