Ho Ho

É a velhice
É o velho Noel
Ambos chegando,
trazendo novidades
pro que é supostamente novo
e envelhece
Nova-mente.

Vamos cair na mesma falácia
Vamos cair na mesma propaganda
Do amor e da compra
Cegos
Falsos
Enquanto a fome dói lá
Longe?

E na ceia (,) privada
de verdade
de senso de onde tudo veio
e pra onde vai
Pelas mãos de quem passou?
Mãos pequenas
de uma infância, talvez

Às 0h00 "Ele" nasceu
Veio ao mundo o sonho
de sermos especiais 
de sermos Os escolhidos
de sermos protegidos
Abençoados
e "bandido bom é bandido morto!" - disse assistindo a notícia sobre a Chacina da Candelária. 

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O que está fora de seu lugar ...

Todo um caos instaurado em nós
Ele me é estranho, incômodo
Socialização violenta e corrida
que não me dá um tempo
e não me dou
pra pensar
refletir
sentir
escolher, lentamente.

O círculo circunflexo nos circula
e o estômago frágil me faz passar mal
São vozes
Sopros
Assopros
Empurrões
"Vamo! Vamo! Anda logo, menina.
Vai ficar parada aí vendo o tempo passar?"
Respondo: sim

Isso tudo não te gera dúvidas não?
Incertezas?
Repensar o que se faz
quer
deseja
pressupõe
para si mesma.
Ou sobre os outros.
Será que realmente são?
Ou sobre tudo.
Será que realmente tem que ser assim?

Assim:
caótico
rápido
impensável
frio
alienante
distante
falso
real
pitadas de imaginação
conveniente, claro
e apenas.

Você também não quer?
Sou só eu?
Ajuda!

Vamos parar e trocar uma ideia, adorável página em branco.
"... Que você venha pra modificar!"

Sorte e Azar - Pato Fu

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À maioria

Boa noite, "maioria". Tudo bem?
Suponho que sim, afinal a vida permeada de privilégios deve ser, de fato, maravilhosa. Mas reconheço que devem haver momentos ruins também na vida de vocês, que possuem diversos privilégios em uma sociedade tão desigual quanto a nossa, até mesmo porque a vida não é algo estático, linear, em que são separadas pessoas com todos os privilégios possíveis e pessoas sem privilégio algum. Agora, convenhamos que há aqueles que tiveram porções a mais de boas chances na vida do que outras e como encontro esse tipo de pessoa em vocês, dedico meu inútil desabafo virtual à vocês mesmo, com muito carinho e muito amor.
Bom, eu estou perdendo meu precioso tempo repleto de responsabilidades a serem cumpridas com isso porque tenho me calado há tempos ao constante defecamento que vocês, meus caros, expõem durante a vossa "liberdade de expressão". Liberdade essa que não é nada além de um combo composto por um ego inflado, falta de educação pautada num mínimo senso crítico e criação leite com pera. Em suma: frescura.
Vejo isso através de qualquer embate que fere toda a socialização perfeita que tiveram ao longo dos seus anos de vida, afinal, o chororô nunca é deixado de lado e vocês fazem toda a questão do mundo em reclamar o direito de serem o que são, tirando todo o espaço alheio de serem o que também são, devido ao fato de nada poder ser diferente do que vocês pressupõem. Quando isso acontece, o vitimismo reina e qualquer palavra que contrarie suas vontades é uma ofensa, uma "verdadeira opressão contra pessoas privilegiadas", o que é bastante cômico e/ou trágico.
Vocês, brancos de classe média conservadores, machistas, homofóbicos (fica subentendido que sejam cristãos, viu?) são os novos oprimidos do mundo. Não é mesmo?

Se alguém questiona seu privilégio branco, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu poder aquisitivo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu conservadorismo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona seu machismo, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona sua homofobia, você está sendo oprimido.
Se alguém questiona sua igreja, você está sendo oprimido.

Realmente. Ser branco de classe média conservador, machista, homofóbico e cristão é ser subjugado na sociedade. Aliás! A sociedade que vocês imaginam viver deve ser marcada pelo poder dos negros, dos indígenas, dos pobres, dos socialistas, das feministas, das lésbicas e dos gays e dos ateístas sobre vocês, pobre coitados, sempre tão oprimidos.
Entretanto, venho aqui dizer que não. Vocês não são oprimidos. Vocês não estão tendo seus maravilhosos direitos violados quando o lado verdadeiramente oprimido conquista direitos. Na verdade, você só está perdendo privilégio sobre o outro e isso deve ser, de fato, algo muito incômodo, não é? Porque as lágrimas de vocês não param de cair por um só instante. Inclusive, tais lágrimas começam a ser derramadas 1 segundo após alguém recusar a ideia de mundo que vocês possuem. Como eu disse no começo: leite com pera.
Eu não sei se a rigidez repassada pelos meus pais à mim (a mais privilegiada dos quatro) e aos meus três irmãos possa ter feito com que eu enxergasse as relações de maneira diferente, mas eu sempre concluo que as pessoas não aguentam dificuldades, não aguentam alguns "nãos" na vida, alguns esporros. Sinceramente, me parece que vocês são crianças com seus brinquedos (privilégios) em que quando dá a hora de tomar banho e a mãe vem tirar os brinquedos das mãozinhas, vocês aprontam um escândalo como se o mundo fosse acabar só por não poderem brincar mais.
Frescura pura!
Opressão é o nariz! Vocês não são oprimidos, meus caros. Segurem esse forninho na vida de vocês.
Não adianta chorar, porque os realmente oprimidos vão lutar sim até conquistarem direitos iguais aos de vocês, e a partir disso, seus maravilhosos privilégios vão se extinguir. E o chororô vai ser em vão.
Portanto, poupem as lágrimas e a minha paciência, porque o vitimismo não está funcionando, muito pelo contrário, só me dá animo para bater de frente contra toda essa ideia de vida e sociedade que vocês possuem e que eu não aceito para a minha pessoa.


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Ilha

Este blog é, de fato, um baú onde são guardados os lenços enxutos de lágrimas dos meus dias mais tristes. Acho que isso ocorre pela necessidade imensa de viver os momentos bons e jamais querer me despedir dos mesmos, nem que seja para expressar alegrias em palavras, juntamente com a falta de ouvidos devidamente limpos e atenciosos aos momentos de sofrimento, o que torna tal espaço em branco o único lugar silencioso, calmo e prontamente livre para receber e compreender minhas dores mais profundas.
Tal constatação é a maior tristeza do dia. Sem dúvidas!
Acredito eu que a observação exposta acima me faz pensar, neste exato instante, que eu provavelmente tenha alcançado o fundo do poço, onde não se acha mais empatia, amor, felicidade. Nem ao menos um pingo de esperança.
Claramente estou sendo dramática e tudo isso provavelmente passará e eu acabe me esquecendo de tamanha dor sentida no peito, mas ainda sim penso que posso bater o martelo e afirmar que nunca estive numa colocação tão negativa ao longo destes míseros vinte anos de pseudo existência.
O sofrimento mór é por estar aqui, neste blog, contando para mim as minhas próprias tristezas pela falta de alguém que queira e/ou possa compreende-las. Na realidade, provavelmente qualquer pessoa ao meu redor poderia me auxiliar em tal momento, mas eu dispenso pedidos de ajuda ao máximo que posso e sempre espero que alguém próximo note durante uma conversa ou alguma colocação minha que os tempos não vão bem para o lado de cá, e se proponha a melhorar o ser humano ao lado.
Eu sempre acreditei nesta máxima, principalmente se tratando de relações extremamente próximas. E continuo a acreditar, quero acreditar. Não concordo com o fato de desistir de tal ideia e ver como as coisas realmente são.
Isso me deixa triste.
Deixar de lado as minhas utopias infantis sobre os seres humanos e as relações criadas e mantidas pelos próprios me deixa triste.
A decepção de não ter relações sinceras, boas e agradáveis com outros seres humanos me deixa triste, mas não a ponto de desistir das minhas concepções ingênuas e quiçá egoístas.
Prefiro, então, me manter fora do que me é proposto. Sofrer por isso. Me entristecer por precisar conversar com uma página virtual em branco. Entretanto, minhas convicções continuam firmes e talvez assim, estando quase em uma ilha, as lágrimas alimentadas por outrem diminuam.


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Up in the Air

Procrastinar a vida foi o que se foi mais feito durante essas duas décadas cheias de quase vazio, e penso eu que isso chegou ao ápice, ao inadmissível.
O tempo passa rápido, ser.
Quanto mais passa, mais rápido. Quanto mais rápido, mais passa. E ver passar e acelerar enquanto se balança a rede e o suco de laranja natural diminui no copo e aumenta no estômago, durante todo esse tempo é nada além de burrice.
Mansidão Imensa!
Vou vendo o mundo existente em feed, enquanto copo sujo de coca tomada há dias ao assistir uma série estadunidense fede.
Me controlo nas minhas próprias básicas vontades por ver que ao fim do mês nem ao menos uma passagem de ônibus terei como pagar.
Fico à madrugada perambulando pelas janelas virtuais e a janela do quarto em momentos de extremismo vazio, para no dia seguinte acordar às 11h e nada.
Não de nadar. De nada.
Suportar desrespeitos diários e manter o discurso de empoderamento alheio. Contradição descarada.
Procrastinar vontades, sentimentos, opiniões, ações, em suma, a vida, enquanto o falar falacioso é falado dia-a-dia.
Será que já chega? Ou deixo essa decisão para amanhã?


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THIRTY SECONDS TO MARS - Up In The Air

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Beira-mar

Sabe, amigo? Às vezes a vida faz isso mesmo. Fica pregando umas peças, te tapeando ao passar uma imagem de que agora vai! Tudo está aparentemente dando certo e vai continuar assim.
De repente parece que a gente finalmente soube escolher quem vale a pena colocar nas nossas vidas, ao invés de ir criando relações superestimadas que logo menos acabam nos deixando na mão. Do nada, nossos planos de carreira começam a finalmente fluir, seguir o caminho que sempre sonhamos e não mais que um ano e pouco já alcançaremos o patamar de sucesso desejado. E num toque de mágica, descobrimos que os problemas não são nada além de meros mal entendidos.
Mas todos esses sentimentos e essas ideias vão se desmanchando pouco a pouco, sozinhas, e não tem como arrumar a bagunça. Até mesmo porque é aí que se descobre que nem tudo depende de nós mesmos, ou de pensamentos positivos, ou quiçá de bondosos deuses.
A vida independe das nossas vontades, apenas do nosso respirar.
As escolhas, vontades e ações alheias independem dos nossos planejamentos mentais para acontecerem. Nem sempre essa é uma relação justa.
Na verdade, nem sempre é uma luta justa. E por mais que queiramos tonar tudo repleto de paz, amor e alegria, as guerras, o ódio e a tristeza vão chegar e bater em nossas portas. Se não abrirmos, vão entrar pela janela. Mais fortalecidos e prontos para destruir todo aquele sonho de areia que construímos à beira-mar.


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On and On and On


Não sei, cara. Mas parece que andamos em círculos mesmo.
Esses círculos parecem não ser tão bons, porque os bons momentos não repetem tanto quanto os ruins ..
Os bons acontecem, obviamente. Sem depressão exagerada por enquanto .. mas os bons momentos parecem ser diferentes, nunca iguais aos antigos.
Agora os ruins! Não.
Vão e voltam. Vão e voltam. Exatamente iguais, ou ligeiramente piores.
Talvez não.
Quem sabe não seja só o momento propício para tal afirmação?
Na verdade minhas convicções sobre os assuntos subjetivos são sempre passageiras, ocorridas somente em tempos de sofrimento, raiva, tristeza e sei lá mais o que.
Porém, repare seriamente.
O que é bom acontece e nunca mais volta. Surgem boas novas, mas não as mesmas novas.
Quem sabe essa seja a graça da coisa toda?
Um leque de alegrias, enquanto a pequena palheta de tristezas tenha que se repetir constantemente.



Bláaaaahh



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